DROGAS
E TRÂNSITO |
COCAÍNA
É
a droga que produz os mais numerosos e graves danos no usuário.
É um amplo leque de lesões atingindo todos os aparelhos
e sistemas orgânicos e também o psiquismo. A cocaína
é extraída da folha da coca (Erythroxylon coca) e se apresenta
sob a forma de um pó branco de sulfato ou cloridrato de cocaína.
Esta droga é “cortada” pelos traficantes com pó
de mármore, talco ou qualquer substância que não altere
as qualidades organolépticas da droga. Esta alteração
é altamente rendosa e pode chegar à mistura de até
10 a 20% do princípio ativo. É excitante do sistema nervoso
central.
A auto-administração mais freqüente é a aspiração
nasal. Como a cocaína diminui o calibre dos vasos sangüíneos
(é vaso-constritora) isto acarreta a necrose da mucosa nasal e,
às vezes, perfuração do septo do nariz. Outras vias
de auto-administração: retal, vaginal e sub-cutânea.
A via endovenosa rivaliza com a nasal na preferência dos usuários.
Sob a forma da pasta-base (fase ainda impura da cocaína), a droga
pode ser fumada em cigarros chamados “bazuco”. Na variedade
de crack, hoje de uso cada vez mais crescente, também pode ser
fumada.
A cocaína, como excitante do sistema nervoso central, leva à
euforia, “com tudo mais brilhante” brilho da noite, à
auto-confiança e aumenta o apetite sexual. Com a continuidade do
uso e aumento das doses, instala-se a ansiedade. O usuário vai
ficando cada vez mais falante, há um estado de vigília e
a redução do apetite e da fadiga. A ausência da fadiga
é o motivo porque, milenarmente, já os povos andinos pré-colombianos
mastigavam a folha de coca em quantidade diária de, mais ou menos,
200 mg que, parece, não ter trazido danos. Com a continuidade do
uso e simultâneo aumento das doses, pode instalar-se nos dependentes
químicos um estado psicótico, tipo maníaco-depressivo,
com alucinações tácteis, como bichos sobre a pele,
zoopsias. Há também hipervigilância, enganos, desorientação
e comportamento estereotipado. Neste estágio, e drogado pode ocorrer
à morte por overdose. Acidentes de toda a ordem, atitudes violentas,
infecções, etc, também podem ocorrer.
No sistema hemopiético, pode haver ativação das plaquetas
sangüíneas. Sistema nervoso. Ataques, aneurismas intracranianos,
malformações artereovenosas, infarto cerebral e hemorragia
sub-aracnoidéa. Convulsões agudas.
Área ginecológica. pode haver sérias complicações
resultantes do uso da droga. Grávidas usuárias de cocaína
têm com maior freqüência parto prematuro, placenta prévia,
retardamento do crescimento fetal, aumento da incidência de peso
menor fetal e também crescimento das taxas de nati-mortos. Vários
estudiosos da problemática das drogas consideram uma séria
situação de risco materno-fetal.
Aparelho circulatório. Neste aparelho vamos encontrar as mais variadas
alterações decorrentes do abuso da cocaína. Estão
sendo relatados: infarto do miocárdio, isquemia, parada cardíaca,
morte súbita, arritmia, hipertensão, taquicardia, taquicardia
sinusal e ventrícular, miocardite, cardiomiopatia, aumentadas espessuras
do ventrículo esquerdo e do septo ventricular. Alterações
eletrocardiográficas e do ecocardiograma. Ruptura da aorta ascendente.
O abuso da cocaína determina um aumento da demanda de oxigênio
porém, ao mesmo tempo, a droga impede que o coração
receba uma maior quota de oxigêncio em virtude da contração
dos vasos coronarianos. O uso simultâneo do álcool e cocaína
ocasiona a formação no organismo de uma substância
- o cocaetileno - elaborada pelo fígado, que está sendo
apontada como grande responsável pela morte súbita por parada
cardíaca. Outro conhecimento importante é que a overdose
não é a única responsável por morte súbita
do usuário. O uso crônico da cocaína também
pode levar à morte súbita, em virtude da droga alterar as
fibras musculares do coração.
Dependência
A cocaína cria a dependência psíquica.
Tolerância
Há o fenômeno da tolerância no uso da cocaína.
Dose Excessiva
A dose excessiva ou overdose deve andar em torno de 05 gramas.
Síndrome de Abstinência
Esta síndrome não traz preocupação e a sintomatologia
da área psíquica desaparece entre 24 a 72 horas após
a parada da droga.
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