TIPOS
DE DROGAS E SEUS EFEITOS |
Maconha e THC
A maconha é o nome dado aqui no Brasil a uma planta chamada cientificamente
de Cannabis sativa. Em outros países, ela recebe diferentes nomes
como: Hashish, Ganja, Diamba, Marikuana, Marihuana. Ela já era
conhecida há pelo menos 5000 anos, sendo utilizada quer para fins
medicinais quer para “produzir risos”. Até o início
do século XX, a maconha era considerada em vários países,
inclusive no Brasil, como um medicamento útil para vários
males. Mas também já era utilizada para fins não-medicinais
por pessoas desejosas de sentir “coisas diferentes”, que por
isso a utilizavam abusivamente. Em conseqüência deste abuso,
e de um certo exagero sobre os seus efeitos maléficos, a planta
foi proibida em praticamente todo mundo ocidental nos últimos 50-60
anos. O THC (tetrahidrocanabiol) é uma substância química
fabricada pela própria maconha, sendo o principal responsável
pelos efeitos psíquicos da planta. Mas em um cigarro já
foram identificados mais de 200 substâncias com efeitos muito diferentes
entre si. Dependendo da quantidade de THC presente (o que pode variar
de acordo com o solo, clima, estação do ano, época
de colheita, tempo decorrido entre a colheita e o uso), a maconha pode
ter potência diferente, isto é, produzir mais ou menos efeitos
psíquicos. Esta variação nos efeitos depende também
da própria pessoa que fuma a planta: todos nós sabemos que
há grande variação entre as pessoas; de fato, ninguém
é igual a ninguém! Assim, a dose de maconha que é
suficiente para um pode produzir efeito nítido em outro e até
uma forte intoxicação em um terceiro.
Efeitos da Maconha
Para bom entendimento, é melhor dividir os efeitos que a maconha
produz sobre o homem em físicos (ação sobre o próprio
copo ou partes dele) e psíquicos (ação sobre a mente).
Esses efeitos físicos e psíquicos sofrerão mudanças
de acordo com o tempo de uso que se considera, ou seja, os efeitos são
agudos (isto é, quando decorre apenas algumas horas após
fumar) e crônicos (conseqüências que aparecem após
o uso continuado por semanas, ou meses ou mesmo anos).
Os efeitos físicos agudos são muitos poucos: os olhos ficam
meio avermelhados, a boca fica seca e o coração dispara:
de 60-80 batimentos por minuto pode chegar a 120-140 ou até mesmo
mais.
Os efeitos psíquicos agudos dependerão da qualidade da
maconha fumada e da sensibilidade de quem fuma. Para uma parte das pessoas
os efeitos são uma sensação de bem-estar acompanhada
de calma e relaxamento, sentir-se menos fatigado, vontade de rir (hilaridade).
Para outras pessoas os efeitos são mais para o lado desagradável:
sentem angústia, ficam aturdidas, temerosas de perder o controle
da cabeça, trêmulas, suando. É o que comumente chamam
de “má viagem” ou “bode”.
Há ainda evidente perturbação na capacidade da pessoa
em calcular tempo e espaço e um prejuízo na memória
e na atenção. Assim, sob a ação da maconha,
a pessoa erra grosseiramente na discriminação do tempo,
tendo a sensação de que se passaram horas, quando, na realidade,
foram alguns minutos; um túnel com 10 metros de comprimento pode
parecer ter 50 ou 100 metros.
Quanto aos efeitos na memória eles se manifestam principalmente
na chamada memória em curto prazo, ou seja, aquela que nos é
importante por alguns instantes. Dois exemplos verídicos auxiliam
a entender este efeito: uma telefonista de PABX em um hotel (que ouvia
um dado número pelo telefone e no
instante seguinte fazia a ligação) quando sob ação
da maconha não era mais capaz de lembrar-se do número que
acabara de ouvir. O outro caso, um bancário que lia em uma lista
o número de um documento que tinha que retirar de um arquivo; quando
sob ação da maconha já havia esquecido do número
quando chegava em frente ao arquivo.
Pessoas sob esses efeitos, não deveriam executar tarefas que
dependem da atenção, bom senso e discernimento, pois correm
o risco de prejudicar outros e/ou a si próprio. Como exemplo disso:
dirigir carro, operar máquinas potencialmente perigosas. Um aluno
que acabou de fumar terá dificuldade de estudar e gravar a matéria
dada ou mesmo assistir uma aula e memorizar o assunto.
Aumentando-se a dose e/ou dependendo da sensibilidade, os efeitos psíquicos
agudos podem chegar até a alterações mais evidentes,
com predominância de delírios e alucinações.
Delírio é uma manifestação mental pela qual
a pessoa faz um juízo errado do que vê ou ouve; por exemplo,
sob ação da maconha uma pessoa ouve a sirene de uma ambulância
e julga que é a polícia que vem prendê-la; ou vê
duas pessoas conversando e pensa que ambas estão falando mal ou
mesmo tramando um atentado contra ela. Em ambos os casos, esta mania de
perseguição (delírios persecutórios) pode
levar ao pânico e, conseqüentemente, a atitudes perigosas (“fugir
pela janela”, agredir as pessoas conversando em “defesa”
antecipada contra a agressão que julga estar sendo tramada). Já
a alucinação é uma percepção sem objeto,
isto é, a pessoa pode ouvir a sirene da polícia ou ver duas
pessoas conversando quando não existe nem sirene nem as pessoas.
As alucinações tanto podem ter fundo agradável como
terrificante.
Os efeitos físicos crônicos da maconha já são
de maior gravidade. De fato, com o continuar do uso, vários órgãos
do nosso corpo são afetados. Os pulmões são um exemplo
disso. Não é difícil imaginar como irão ficar
estes órgãos quando passam a receber cronicamente uma fumaça
que é muito irritante, dado ser proveniente de um vegetal que nem
chega a ser tratado, como é o tabaco comum. Esta irritação
constante leva a problemas respiratórios (bronquites), aliás,
como ocorre com o cigarro comum. Mas o pior é que a fumaça
de maconha contém alto teor de alcatrão (maior mesmo que
na do cigarro comum) e nele existe uma substância chamada benzopireno,
conhecido agente cancerígeno; ainda não está provado
cientificamente que as pessoas que fumam maconha cronicamente estão
sujeita a adquirir câncer dos pulmões com maior facilidade,
mas os indícios em animais de laboratório de que assim pode
ser são cada vez mais fortes.
Outro efeito físico adverso (indesejável) do uso crônico
da maconha refere-se à testosterona. Esta é o hormônio
masculino; como tal confere ao homem maior quantidade de músculos,
a voz mais grossa, a barba, também é responsável
pela fabricação de espermatozóides pelos testículos.
Já existem muitas provas de que a maconha diminui em até
50-60% a quantidade de testosterona. Conseqüentemente, o homem apresenta
um número bem reduzido de espermatozóides no líquido
espermático (na linguagem médica esta diminuição
se chama oligospermia), o que leva à infertilidade. Ou seja, o
homem terá mais dificuldades de gerar filhos. Este é um
efeito que desaparece quando a pessoa deixa de fumar a planta. É
também importante dizer que o homem não fica impotente ou
perde desejo sexual; ele fica somente com esterilidade, isto é,
incapacitado de engravidar sua companheira.
Há ainda que considerar os efeitos psíquicos crônicos
produzidos pela maconha. Sabe-se que o uso continuado da maconha interfere
com a capacidade de aprendizagem e memorização e pode induzir
um prejuízo da motivação, isto é, não
sentir vontade de fazer mais nada, pois tudo fica sem graça e sem
importância. Este efeito crônico da maconha é chamado
de síndrome amotivacional. Além disso, a maconha pode levar
algumas pessoas a um estado de dependência, isto é, elas
passam a organizar sua vida de maneira a facilitar o uso de maconha, sendo
que tudo o mais perde o seu real valor.
Finalmente, há provas científicas de que se a pessoa tem
uma doença psíquica qualquer, mas que ainda não está
evidente ou a doença já apareceu, mas está controlada
com medicamentos ela se arrisca a apresentar de novo os sintomas da doença
se fumar maconha.
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